“Ao cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, por medo dos judeus, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “Paz seja com vocês!” Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se quando viram o Senhor. Novamente Jesus disse: “Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu os envio”. E com isso, soprou sobre eles e disse: “Recebam o Espírito Santo. Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados“
João 20:19-23
A Igreja Primitiva tinha uma mensagem singular para o mundo: Jesus Cristo ressuscitou dentre os mortos. Tudo estava articulado nesta única mensagem. Tudo dependia desta única mensagem porque a ressurreição mudou tudo.
No primeiro dia da semana, os discípulos estavam juntos, escondidos com portas trancadas, por estarem cheiros de medo. Imaginem o ambiente na sala superior enquanto se juntavam – tristes, porque Jesus foi crucificado, envergonhados porque lhes tinha faltado a coragem de tentar impedi-lo, com medo que os soldados romanos viessem logo atrás deles e confusos quanto ao que fazer a seguir.
Durante os últimos três anos, as suas vidas estavam envolvidas no chamado para seguirem a Jesus, e agora terminam nessa sala de solidão e desespero. Então, no meio da nuvem de tristeza, vergonha, medo e confusão, Jesus vem e enche a sala com a sua luz. A Paz de Jesus trouxe-lhes consolo para a dor da sua perda, lavou a vergonha, derrotou os seus medos e ofereceu clareza e esperança aos seus corações desorientados. De facto, a ressurreição mudou tudo.
Ao oferecer-lhes esta paz, Jesus está a cumprir uma promessa que fez apenas alguns capítulos antes enquanto tentava a preparar os seus discípulos para o que estava para vir. Em João 14:26-27 Jesus disse aos seus discípulos: “Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse. Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo“.
Depois de encontrarem Jesus ressuscitado, o medo dos discípulos transforma-se em alegria por causa da paz que Jesus lhes ofereceu. Mas isto não foi tudo o que Jesus fez. Depois de lhes ter dado a paz, Jesus declarou que os enviava da mesma forma que o seu Pai o tinha enviado e depois soprou sobre eles. Jesus deu aos discípulos o poder de saírem e espalharem as Boas Novas. O encontro com o Jesus ressuscitado mudou tudo.
Ao pensar em que ligação do sistema respiratório humano eu usaria nesta devoção, decidi concentrar-me na dependência que os discípulos devem ter do Espírito Santo. Sem o Cristo ressuscitado e o Seu dom do Espírito Santo, os discípulos teriam ficado encurralados, desapontados e desiludidos – levados ao engano e abandonados por alguém que vivia numa versão falsificada da realidade. Tal como a sua existência e missão futuras dependiam do sopro do Espírito, os nossos corpos futuros também dependem do Seu sopro enquanto aguardamos o nosso próprio nascimento.
Como sabem, os bebés humanos se formam dentro do ventre da sua mãe durante cerca de 280 dias. Durante esse tempo, o bebé não respira ar; consequentemente, os pulmões são um dos últimos órgãos a desenvolver-se. O sangue do bebé contorna os pulmões colapsados e cheios de líquido através de uma abertura em forma de aba entre as câmaras superiores do coração. Então, como é que o bebé recebe oxigénio e elimina o dióxido de carbono? O sangue da mãe flui através da placenta e para o bebé através do cordão umbilical, fornecendo oxigénio. E o dióxido de carbono e os resíduos do bebé são devolvidos à mãe para serem eliminados pela mesma via em sentido inverso. O bebé está totalmente dependente da mãe para esta troca de gases críticos.
Quando o bebé nasce e o cordão umbilical é pinçado, ocorrem mudanças espantosas. O bebé respira pela primeira vez, e os pulmões do bebé expandem-se com o ar. A abertura através da qual o sangue fluiu para contornar os pulmões durante a gravidez é fechada. O oxigénio é administrado ao sangue do bebé através dos sacos de ar dos pulmões. A circulação do bebé e o sangue fluem através do coração, funcionando agora como o de um adulto. Talvez a parte mais espantosa? Tudo isto acontece numa questão de minutos! Quando o médico dá palmadinhas nas costas de um bebé após o nascimento, esse primeiro choro assinala que cada um desses processos vitais ocorreu (não admira que o bebé tenha vontade de chorar depois de todo aquele trabalho!).
Os discípulos precisavam de uma boa palmadinha nas costas naquela solitária sala superior, e Jesus deu um poderoso murro de graça. Deu-lhes a paz, depois soprou sobre eles o Espírito vivificante necessário para os transformar em indivíduos que poderiam sobreviver fora do “ventre” da Sua presença física.
Nós humanos recebemos este sopro milagroso de oxigénio dentro e depois fora do ventre da nossa mãe, onde também nós somos chamados a viver e a crescer e a tornarmo-nos tudo o que Deus nos criou para sermos. Ao contrário dos nossos pulmões, no entanto, que um dia irão respirar o seu último suspiro, o Espírito que Deus soprou em nós nunca diminui ou vacila. A morte já não tem qualquer poder, porque – imagine – a ressurreição mudou tudo.
Como proclama o amado hino:
Sopra sobre mim, Sopro de Deus,
Enche-me de vida de novo,
Que eu possa amar da maneira que tu amas,
e fazer o que farias.